Após mais de dois meses, continua ocupação no Hospital Panamericano

Na madrugada de 22 de agosto, o antigo Hospital Panamericano foi ocupado por cerca de 15 sem-teto, para pressionar pela construção de moradias populares em outros lugares. Apesar dos pedidos da SAAP para que o poder público resolva o problema, a situação não só continuou, como agora há ainda mais gente, incluindo crianças, vivendo em condições precárias no local.

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O prédio pertencia à operadora de serviços de saúde Samcil, mas estava fechado desde 2011, depois que a empresa passou por problemas financeiros. Em 2014, o governo estadual decidiu desapropriar o imóvel para instalar uma unidade do Hospital das Clínicas especializada em trauma, um projeto ainda em desenvolvimento.

Logo após a ocupação, a Polícia Militar vigiou o local para evitar a entrada de novas pessoas. No entanto, com o fim da vigilância diária, já há cerca de 50 sem-teto no prédio, que chegaram com móveis e utensílios e se utilizam do posso artesiano do estabelecimento e de uma ligação clandestina de energia.

A SAAP enviou, em 25 de setembro, um ofício ao secretário estadual de Saúde, David Uip, apontando a situação insalubre do prédio e pedindo providências. Como não houve resposta, em 14 de outubro a associação mandou outro ofício, mas os moradores de Altos dos Pinheiros continuam sem respostas.

Local inadequado

A ocupação – de responsabilidade da União dos Sem-Teto (UST), segundo reportagens publicadas na imprensa – é apenas a mais recente das polêmicas envolvendo o Panamericano. A degradação vem desde que o prédio foi fechado, apenas piorou com a possibilidade de instalação de um hospital de trauma sem debate com os moradores do bairro.

O imóvel fica na rua Vitorino de Carvalho, uma região definida como zona exclusivamente residencial. A instalação de um hospital desse tipo nesse local é inadequada, na avaliação da SAAP: geraria tráfego de ambulâncias em vias que não comportam tal circulação e significaria pouso e decolagem constante de helicópteros para atendimentos de emergência.

Esses pontos foram abordados no ofício de 14 de outubro, já que a SAAP considera que a decisão do governo estadual não levou em conta a comunidade e contraria as características de “bairro-jardim” de Alto dos Pinheiros.

A pedido da SAAP, o escritório Garcia e Carneiro Advogados fez um parecer jurídico mostrando diversas ilegalidades envolvidas na destinação do prédio para um hospital de trauma.

De qualquer forma, as discussões sobre o futuro do estabelecimento estão momentaneamente paradas enquanto não se resolve o urgente caso da ocupação.

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